O tema escolhido para este artigo é a tão sonhada e almejada paz. Mas antes de mais nada devemos meditar, refletir, sobre que tipo de paz sonhamos e o que estamos fazendo efetivamente para conquistá-la. Nos programas de televisão, na mídia em geral somente "dá ibope" a violência, as drogas, o sexo etc... Será que com isso estamos colaborando para a paz? E o egoísmo devorador da sociedade atual, buscando a cada dia futilidades para ostentar, enquanto outros seres humanos não tem sequer o necessário para o dia a dia. Será que uma sociedade desigual no acesso às oportunidades, usando de "dois pesos e duas medidas", pode viver em paz? Quem teve acesso à informação, estudo, conhecimento, o que está fazendo em favor de seu próximo? Como é difícil responder à essas questões, não é verdade?
Jesus dizia que "os sãos não precisam de médicos, mas sim os doentes". Nesse sentido temos inumeráveis exemplos de homens abnegados que muito fizeram pela paz, e nem por isso são notícia na mídia, que somente divulga desgraças. O livro "PLANTANDO A SEMENTE" conta a história do gurú indiano SRILA PRABHUPADA e sua chegada aos Estados Unidos em meados da década de 60, mais precisamente na conturbada NOVA YORK, no meio de hippies intoxicados por desregramentos sexuais, maconha e LSD, típica contra-cultura americana, com o intuito de disseminar o movimento HARE-KRISHNA na América. Como afirma um seguidor, na página 200, PRABHUPADA era o único que ousava falar abertamente contra o LSD, dizendo que era um disparate. A droga LSD era considerada o alucinógeno espiritual da época (quem for da minha faixa etária, ou pertenceu a geração paz e amor, sabe do que estou falando). O gurú indiano afirmava que os ensinos do BHAGAVAD-GITA, livro base da sua crença, proporcionava a "MAIOR VIAGEM ESPIRITUAL DE TODAS". Com esse exemplo, é o caso de perguntarmos o que as religiões ditas "tradicionais" estão fazendo para divulgar a paz? O compromisso de quem se diz religioso é mostrar à sociedade atual, empanturrada de tecnologia, mas miserável em conquistas morais, qual a paz verdadeira que deve buscar. Mas ao invés disso, vemos dia a dia surgirem mais igrejas de "jesus com conta bancária".
Devemos almejar mais do que o acanhado conceito de paz sonhado pela maioria, que significa simplesmente barriga cheia, não ser vítima da violência, ter "liberdade" para continuar chafurdando nos vícios e em todas as imperfeições morais. A PAZ pregada por KRISHNA, JESUS, e outros luminares pressupõe um nível de consciência mais elevado. É a paz real, verdadeira, da consciência livre do remorso e da culpa, resultado da sintonia com os planos mais altos da vida espiritual. Paz esta, somente alcançada com reforma íntima e renúncia aos prazeres materiais mais grosseiros. Infelizmente muito poucos estão dispostos a pagar esse preço. O cristo que o diga, na sua passagem aqui pela terra.
Jesus não é figura lendária para livros de história, mas roteiro vivo para a nossa existência. Em apenas três anos de peregrinação, por uma pequena região do planeta, não deixou nada escrito, não criou religião, não ostentou nenhum título (meu reino não é deste mundo), não fundou escolas. Sua cátedra era os lugares por onde passava, andando a pé ou montado num jumento, exalando palavras de sabedoria e humildade, dividindo com isso o tempo em antes e depois dele.
Vivemos buscando fórmulas mágicas de felicidade, cultuando ídolos de barro, sofrendo de auto-piedade, escravos da opinião pública sobre nós mesmos, sonhando com a paz, sem saber onde e como procurá-la. Por esta razão, muitas vezes somos vítimas das "utopias" que aparecem como salvação. O próprio marxismo provou que por mais bem intencionada seja uma doutrina ou ideologia, ela não sobrevive se não admitir Deus como causa primária, porque o ser humano, queiramos ou não, é espírito antes de ser matéria.
Encerrando estas reflexões, diria que devemos procurar a paz, onde realmente ela pode ser encontrada, isto é, DENTRO DE NÓS MESMOS!
Pensem nisso e até a próxima.
Francisco Corrêa - vice presidente do G. E. ALAN KARDEC.
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