O preconceito e má-vontade contra os espíritas, por parte daqueles que se acham "ungidos pelo Divino Espírito Santo", tem causado enormes prejuízos na divulgação da verdade, ao longo de quase dois séculos. O próprio Código Penal Brasileiro está eivado desse preconceito acusando àqueles que aliviam as dores alheias sem cobrar um tostão, em casos em que a medicina convencional já havia desenganado, de curandeiros e mistificadores. Parecem estes "paladinos da justiça e da verdade", esquecerem-se dos preceitos do Cristo e das curas executadas e estimuladas por ele. As curas religiosas não só devem partir dos espíritas verdadeiros, como dos verdadeiros cristãos, pois que é, como já dissemos, preceito evangélico. Senão vejamos: Em Matheus 10:8 '' CURAR OS ENFERMOS, RESSUSCITAR OS MORTOS, LIMPAR OS LEPROSOS, EXPELIR OS DEMÔNIOS, DAR DE GRAÇA O QUE DE GRAÇA RECEBEU".
As curas sempre estiveram ligadas à religião, eram em regra, nas igrejas que se faziam. O apóstolo Tiago, em sua epístola às doze tribos da Dispersão, aconselhava ( Tiago5:14 a 16) " Está alguém doente? Chamem os presbíteros da igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor. A oração da fé salvará o doente, e o Senhor o restabelecerá... muito pode a súplica fervorosa do justo".
A esta prescrição de Tiago, o professor Dr. Pedro Lain Entralgo, da faculdade de Medicina de Madrid, acrescentou estas palavras : "- A enfermidade teve para os primitivos cristãos ( e deve ter para todos os cristãos, sejam médiuns ou não), um profundo, essencial, sentido religioso". E mais adiante, o prof. Entralgo assinalava em seu livro " ENFERMEDAD E PECADO": "- Em certas ocasiões, quando se acreditava que a enfermidade era devida a possessão demoníaca, usou-se também ( e se abusou) do exorcismo, sempre praticado "IN NOMINI CHRISTI".
Alguns ilustres cristãos, entre eles Taciano, o assírio, e Tertuliano, chegaram a crer ilícito o uso de medicamentos, achando suficiente a oração e o exorcismo. Taciano permitia o emprego de remédios aos pagãos, mas não aos seguidores do Cristo. Dizia: "- A cura com remédios procede em todas as suas formas, do engano; pois se alguém é curado pela matéria, confiando nela, tanto mais será abandonando-se ao poder de Deus...Quem se confia às propriedades da matéria, porque não há de confiar em Deus?
São Bernardo curou, num dia, em Constança, 11 cegos e 18 coxos; em Colônia, fez com que os surdos ouvissem e os mudos falassem. Este mesmo santo achava que não era à medicina, mas à igreja, que se deviam buscar os remédios.
Com os passes, as santas curavam os enfermos. Salientaram-se como passistas, entre outras, Santa Margarida, Santa Catarina, Santa Ildegarda. Santa Odília curou um leproso só com o estender-lhe os braços em torno do corpo. Cosme e Damião eram taumaturgos incorrigíveis, chegaram a curar Justiniano, atacado de mal de morte. E os exemplos são intermináveis, podendo também citar às curas mencionadas no LIVRO DOS MORTOS, do Egito.
Queremos deixar bem claro, que não estamos defendendo o exercício da medicina em igrejas ou centros espíritas. No século 21 isto seria um contra senso, mas mostramos apenas os exemplos das curas mediúnicas, onde muitas vezes, a medicina terrena, já havia desenganado o paciente.
Temos pois que a arte de curar, por processos supranormais, está, em todos os tempos, ligada à idéia religiosa. Curava-se nos templos. Santos, santas e sacerdotes curavam como já mostramos. Os evangelhos, por onde se guiam´católicos, protestantes, como suas inúmeras seitas, ortodoxos, em suma, todos os povos cristãos, é um repositório de curas milagrosas, e o Cristo, o mestre, não só curava como mandava curar. Se na prática moderna, o cuidar dos outros foi sendo substituído pelo cuidar de sí mesmo, não pode ela obscurecer o que a história ensina.
A DOUTRINA ESPÍRITA resgata através do passe, da água fluídificada e da desobssessão, os ensinamentos e as curas que os primeiros cristãos faziam e que posteriormente foram esquecidas pelas religiões que preferiam brigar entre sí pela posse exclusiva da verdade. Acredito firmemente que no futuro, quando a humanidade evoluir moralmente, caminharemos para uma religião única, livre de dissenções e preconceitos, preocupada apenas em tornar o ser humano melhor e mais tolerante, como JESUS ensinava " amar a Deus acima de todas as coisas, e o próximo como a sí mesmo".
Pensem nisso.
Francisco Corrêa - vice presidente do G. E. ALAN KARDEC.