segunda-feira, 24 de outubro de 2011

MAIS UMA VEZ, A BÍBLIA!

Voltamos hoje a abordar um tema dito polêmico, mas sem a intenção de polemizar. Refiro-me a interpretação da Bíblia, que segundo opinião de alguns é depreciada pelos espíritas, acusação esta que considero injusta. Os espíritas apenas tem uma visão crítica da mesma, não aceitando cegamente seus postulados.
Chega às minhas mãos um artigo publicado por um católico, no jornal Diário da Manhã, de Pelotas, tempos atrás, com o título "A BÍBLIA É MAIS DIFÍCIL DO QUE PARECE", cujo autor é MÁRIO EUGENIO SATURNO, professor de filosofia ciências e letras de Catanduva SP, e congregado mariano. Surpreendentemente, notei que a opinião de alguém ligado à igreja católica coincidia em muitos pontos com a minha, que por ser espírita, era dada como suspeita para falar da Bíblia.
Resolví então transcrever alguns pontos do artigo publicado no referido jornal, para provar que muitos católicos ou profitentes de outras religiões bíblicas também procuram analisá-la racionalmente, sem querer com isso diminuir sua importância.
Vejamos o que diz Mário Eugenio: -" Ao contrário do que se pensa, os católicos também valorizam a Bíblia, assim como outros símbolos de fé cristã, só que cada coisa a seu tempo. Certamente voce já ouviu dizer que basta ler a Bíblia conhecer Deus e seus propósitos para nós. Porém, pelo que observamos, chegamos a conclusão que Deus não fala coisa com coisa. É muita gente "inspirada" pelo Espírito Santo dando mensagens diferentes! Será que existe  mais de um Espírito Santo? Continua o católico Mário Eugenio "-Ora, Deus não é confuso, nem produz divisão, Deus é amor, união, perdão. O grande problema é que a Bíblia é uma coleção de livros, que foram escritos em épocas diferentes e em línguas diferentes: hebraico, aramaico, e grego". " Por volta  do ano 300 a.c. Ptolomeu II mandou traduzir o ANTIGO TESTAMENTO, a tradução ficou conhecida como A BÍBLIA DOS SETENTA . Acontece  que vários originais em hebraico foram perdidos, como parte de Daniel (cap. 13 e 14) restando apenas a tradução grega. Sem o original hebraico, algumas religiões e seitas não aceitam o texto grego." "Outro problema é que a Bíblia foi copiada, copiada e copiada. Cópia da cópia da cópia acabou produzindo uma infinidade de versões da mesma. E, consequentemente, erros foram introduzidos. Há um agravante, a língua hebraica da Bíblia não tinha vogais, somente consoantes. Só a partir do século VII d.c. acrescentou-se vogais ao Antigo Testamento".
Quem conhece bem uma outra língua defronta-se com um grande problema quando quer expressar uma idéia ou sentimento nas duas línguas. Traduzir não é simplesmente usar um dicionário e substituir palavras. A equivalência não é simples e raramente traduz a idéia completamente. Aliás, jamais reproduz a sonoridade na língua original, como em um poema. É o que se diz do Pentateuco ( os cinco primeiros livros da Bíblia), precisaríamos estudar hebraico para entender a mensagem de Deus.  A própria composição da Bíblia é complicada. Por exemplo, acreditou-se que o pentateuco era obra de Moisés, porém, análises literárias feitas nos últimos cem anos concluíram que o pentateuco é o resultado de quatro documentos diferentes, mas escritos muito tempo depois de Moisés.
Seguimos adiante então, dando a palavra à Mario Eugenio: "- A mais antiga é a narrativa chamada javista, já que usa o nome IAHWEH, como revelado a Moisés; teria sido escrita por volta do século IX a.c.  Depois surgiu a narrativa Eloísta, pois usa o nome mais comum de Deus, ELOHIM. As duas narrativas foram juntadas e depois, o Deuteronômio foi acrescentado. Surgiu, por último, o código sacerdotal." "Então, transformou-se na forma como conhecemos hoje. Pode-se afirmar que no Gênesis há dois relatos da Criação (1, 1-2, 4a e 2, 4b-3,24); há duas genealogias de Caim (4,17 e 5,17); dois relatos combinados do dilúvio (6-b); duas expulsões de Àgar; tres narrativas da desventura de Sara (12, 10-20;20, 26, 1-11); duas histórias combinadas de José nos últimos capítulos.  No Êxodo temos duas narrações da vocação de Moisés (3,1-4, 17 e 6,2 7,7); dois milagres da água, e tantas outras passagens, que não reproduziremos para não tornar a leitura muito cansativa.
Assim é toda a Bíblia, de complicada compreensão para teólogos, linguistas, literários, historiadores, sociológos, em suma, para todos os doutos. Infelizmente, não existe um "espírito santo" que instrua os leigos na área, e traduza a "ideia" original do texto.
Depois de tudo o que foi dito, pelo articulista acima mencionado, resta muito pouco a acrescentar. Apenas gostaríamos de frisar mais uma vez que NÃO É PECADO PENSAR.
No momento em que "nosso pai que está no ceú" como dizia JESUS, dotou-nos de inteligência e um cérebro, devemos usar esses dons divinos. O ser humano é conservador por excelência, e todas as idéias novas, a princípio, foram recebidas com reservas. Que o digam os grandes gênios da humanidade, pois ao revelarem  suas idéias, sempre eram taxados de loucos. Loucos abençoados, que o tempo encarregou-se de mostrar que estavam certos.
Portanto, meus amigos, procurem tirar as conclusões por sí mesmos, afinal de contas, os espíritas há muito tempo  aboliram a fé céga.
Somos adeptos da FÉ RACIOCINADA, graças a Deus.



ATÉ A PRÓXIMA.



Francisco Corrêa, vice presidente do G. E. ALAN KARDEC.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

NÃO PODEMOS ACREDITAR...

Frequentemente assistimos na televisão aberta, programas evangèlicos em que pastores de diversas ramificações religiosas atacam a Doutrina Espírita, com extrema má fé, dizendo dela o que ela não é. O movimento espírita de uma forma geral cala-se à esses ataques, em nome de uma pseudo humildade, que para mim cheira mais a omissão. Não devemos esquecer que o próprio JESUS, não foi apenas um doce e meigo rabí, como querem alguns. Soube ser enérgico e duro quando em defesa da verdade, como na passagem evangélica da expulsão dos vendilhões do templo. e sempre combateu os ESCRIBAS E FARISEUS, que seguidamente chamava de hipócritas.
Um dos maiores instrumentos que esses "pastores"  usam para defenderem as vultosas somas financeiras que a "CONTA BANCÁRIA DE JESUS"  lhes rende, é a Bíblia Sagrada, afirmando que os espíritas são contra a Bíblia.
Tal fato ( que os espíritas são contra o mencionado livro) não é verdadeiro, o espírita respeita a Bíblia pelo seu valor histórico, e até mesmo por representar a história do povo hebreu. No entanto não é por respeitarmos o livro que temos a obrigação de acreditar em tudo que ela fala de forma literal, senão vejamos:
- Não podemos acreditar que seja lógico existir dia, sem existência de sol.
- Não podemos acreditar que se existiam apenas quatro pessoas no mundo, ADÃO, EVA E CAIM (eram quatro, mas Abel foi assassinado por Caim), de repente Caim muda-se para a terra de Node e constituí família! Com quem? Que cidade era essa? Quem morava nela? Segundo a Bíblia, só existiam àquelas tres pessoas no mundo!
-Não podemos acreditar que Josué tenha parado o sol, primeiro por não sermos cegos diante da Astronomia que já comprovou, há muito tempo, que não é o sol que gira em tôrno da terra, e sim o contrário. Continuar a acreditar nisso caracteriza proximidade ao analfabetismo. Segundo, porque, obviamente  homem nenhum tem condições de parar estrelas ou planetas.
-Não podemos acreditar em um Deus tão vaidoso, nervoso, irritado, violento, discriminador, impiedoso, sanguinário e insensato que chegava a exterminar até os animais sem razão alguma.
-Não podemos acreditar que DEUS, uma inteligência tão extraordinária capas de criar bilhões de galáxias, fosse capaz de fazer tanta bobagem a ponto de ser repreendido por Moisés. Não podemos aceitar que o mesmo JESUS que ensinou o "NÃO JULGUEIS" venha aqui se contradizer e julgar todo mundo. Ou será que ele vem dizendo: "-Olha gente, eu estava brincando quando disse aquilo outra vez".
-Não podemos aceitar que a tal proibição de Moisés, no VELHO TESTAMENTO, tenha alguma coisa a ver com o que se pratica no espiritismo, já que ele mesmo depois de morto, materializou-se no Tabor diante de Jesus, Pedro e Tiago. Nós (espíritas) sabemos que Moisés proibiu foi o abuso que se cometia naquela época com a mediunidade. E aqui um ponto de reflexão; Se Moisés proibiu o uso da mediunidade é sinal evidente que é possível a comunicação com os mortos. De outra forma não teria sentido proibir o que não existe,  concordam?
- Não podemos admitir que o grande criador do UNIVERSO tenha mandado, de fato, o profeta Exequiel comer pão com fezes.
- Se as cobras foram condenadas por Deus, a andar se arrastando sobre o ventre, por causa da estória da maçã no paraíso, perguntamos: Como andavam antes?
Apelamos para o bom senso, para a FÉ RACIOCINADA. Para os espíritas, a ciência merece respeito, e ela não é mentirosa nem leviana quando nos fala da existência do "Homen de Neandertal" e doutras fases  evolutivas de nossa espécie, tendo feito comprovação através da Arqueologia. Não achamos que é brincadeira a comprovação da existência dos dinossauros há 65 milhões de anos.
Enfim, acreditamos no DEUS que criou os homens, e não no deus antropomórfico que os homens criaram. Para falar mal da DOUTRINA ESPÍRITA, estudem-na primeiro, porque falar do que não se conhece é no mínimo leviandade.

Pensem nisso.


Francisco Corrêa - vice presidente do G. E. ALAN KARDEC.

sábado, 1 de outubro de 2011

DUAS VIDAS.

MOHANDAS KARAMCHAD GANDHI- O mahatma (grande alma), nasceu em Portbandar, no ano de 1869.
HIPOLITE LEON DENIZAR RIVAIL- O Alan Kardec, nasceu em Lion, a 3 de outubro de 1804 e desencarnou a 31 de outubro de 1869.
Duas vidas que mudaram a face do planeta estão ligadas por um elo imperceptível de responsabilidades filosóficas e morais.  Retorna Alan Kardec ao mundo espiritual em 1869. Nasce (renasce) Ghandhi no mesmo ano. Ambos estavam ligados pelo Sermão da montanha de Jesus. Kardec escreve o " Evangelho segundo o espiritismo". Ele mesmo classifica as matérias contidas nos evangelhos de Jesus em cinco partes: atos da vida do cristo, milagres, predições, palavras tomadas pela igreja para fundamentos de seus dogmas e o ensino moral. A última conservou-se constantemente inatacável. Diante desse código a própria incredulidade se curva.
Ghandhi baseava-se no BAGHAVAD-GITA, a primeira aula de reencarnação da humanidade. Quando chega à Inglaterra para seu curso de Direito toma conhecimento do Sermão da Montanha de Jesus. Daí para a frente é a base de sua filosofia da não violência.
Os estudiosos da codificação de Alan Kardec podem dizer-se ESPÍRITAS, após o estudo em CURSO REGULAR DE ESPIRITISMO.  Mas somente os que põem em prática o EVANGELHO DE JESUS, podem dizer-se cristãos. Perguntaram porque Ghandhi não foi um cristão, pois colocava  em prática os ensinos de Jesus, ele respondeu que já tinha sua religião e não via necessidade de adotar outra crença, mas disse que se fossem queimados todos os livros do mundo e restasse apenas o sermão da montanha de Jesus, a humanidade não precisaria de bússola melhor para trilhar o caminho do bem. Sobre Ghandhi,  Humberto Rodhem escreveu: "-Se jamais houve, durante 2000 anos da era cristã, um genuíno discípulo do Cristo, então foi aquele a quem o povo chamava a grande alma. Vida intensamente crística embora não tenha sido oficialmente um cristão". Rodhem destaca ainda esse pensamento entre uma coletânea de cem: "- A verdade é a primeira coisa que deve ser procurada - e a beleza e a bondade nos serão acrescentadas. Foi isto que o Cristo ensinou realmente no sermão da montanha. É esta a verdade e a beleza pelas quais eu vivo, e pelas quais eu gostaria de morrer".
Alan Kardec nasceu católico. Teve premiada pela Academia de Arras sua memória. Manteve cursos de Química, física, anatomia, astronomia, e outras ciências. Lecionava no LICEU POLIMÁTICO. Poliglota, foi mais fácil codificar as cinco obras básicas do espiritismo: " O LIVRO DOS ESPÍRITOS (1857), O LIVRO DOS MÉDIUNS (1861), O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO (1864), O CÉU E O INFERNO (1865), A GÊNESE (1868). A REVISTA ESPÍRITA, 0l de janeiro de 1858, manteve o mundo inteiro informado sobre as pesquisas científicas da chamada METAPSÍQUICA.
Centro e quarenta e um anos marcam o retorno de Alan Kardec ao plano espiritual. E parece-nos, nos enviaram Ghandhi, imediatamente, para continuar as exemplificações do cristianismo de Jesus. Duas vidas dedicadas ao bem e a verdade. Muito diferente do cristianismo de "fachada" defendidos por alguns "pastores" dos dias atuais.

Pensem nisso!



Francisco Corrêa - vice presidente do G. E. ALAN KARDEC.