Nesta data que costumamos reverenciar os nossos "mortos", é oportuno falarmos sobre o assunto, que verdadeiramente ainda é um tabú, principalmente quando se trata de crianças. A doutrina espírita trouxe luz à todas áreas do conhecimento humano, a despeito do que dizem seus inimigos e contraditores. O ensino dos espíritos a cada dia é mais divulgado e aceito na mídia e pela sociedade de uma forma geral. Costumamos dizer que o espiritismo "MATOU A MORTE" e justamente esse é o tema do nosso comentário. Iniciamos com as seguintes perguntas: DEVEMOS OU NÃO CONVERSAR SOBRE A MORTE COM NOSSOS FILHOS? A PARTIR DE QUE IDADE? COMO CONTAR QUE ALGUÉM MORREU? SERÁ QUE A CRIANÇA IRÁ ENTENDER?
Se pararmos para pensar, veremos que nós, adultos, temos muitas dificuldades em abordar o assunto. Muitos recusam-se, inclusive, a pensar na possibilidade de que algum dia irão morrer ou que algum dos seus afetos possam desencarnar. A morte sempre foi envolvida em mistérios, tabús, sendo vista como algo terrível, fúnebre, que não deve ser comentado. As religiões que deveriam esclarecer seus fiéis sobre o assunto, preparando-os para este momento, pouco falam a respeito. O espiritismo esclarece que a morte é a continuação da vida, que ao morrermos deixamos apenas o corpo físico, que irá se decompor (por isso o termo desencarne), mas não perdemos nossa individualidade, nossos gostos, a capacidade de sentir e pensar. E que temos tantas reencarnações quantas forem necessárias para nosso aprendizado, reparação de faltas e aquisições de virtudes e valores morais.
As afeições que temos, os laços de amor, amizade e estima não se acabam com a morte; sabemos que iremos nos reencontrar no plano espiritual, como em outras reencarnações, com os nossos entes queridos. E isto não é profundamente consolador? Sabendo de tudo isso, porque não passarmos essas informações para nossos filhos?
A criança é muito curiosa, está descobrindo o mundo, e assim como faz perguntas sobre outros temas, também fará sobre a morte. Com palavras simples, adequadas ao seu nível de compreensão, devemos explicar que ao morrermos deixamos o corpo e vamos para a dimensão espiritual.
Da mesma forma que no passado o sexo era tabú na relação entre pais e filhos, e veio a criar gerações e gerações de homens e mulheres frustrados e desinformados sobre o tema, a morte ainda é envolvida nesse denso véu.
Podemos aproveitar a morte de um avô de um coleguinha, ou do animal de estimação para comentarmos a respeito do assunto, dando a visão consoladora da doutrina espírita. Assim, estaremos preparando a criança para o desencarne de alguém mais próximo, esclarecendo como algo que faz parte da vida e que é inevitável, acontencerá com todos nós.
Não devemos esconder o desencarne (morte) de alguém próximo da criança, muito menos dizer que a pessoa viajou ( a criança poderá sentir-se abandonada), ou que dormiu (poderá vir a ter medo de dormir).
Uma dúvida de muitos é se a criança deve ou não ir ao velório. Não há porque não levá-la. Devemos escolher o momento mais tranquilo, quando haja menos pessoas, não sendo necessário ficar muito tempo; explicar que o corpo está alí, mas que o espírito continua vivo, na dimensão espiritual e que receberá com alegria as preces e os bons pensamentos de todos. Se a criança recusar-se a ir, não devemos forçá-la, mas explicar, com amor, o que aconteceu.
Procurando vencer os tabús e incertezas a respeito do desencarne, poderemos esclarecer melhor nossas crianças, cumprindo, assim, a nossa tarefa de educarmos com responsabilidade, sem subestimar a capacidade de entendimento da criança, que é um ser que retorna à vida corporal, mas que tem toda uma bagagem de consciência e entendimento corporal. Agindo dessa forma, certamente estaremos exercendo o papel de pais na construção da educação e esclarecimento de nossos filhos, e não delegando este papel à escola, como geralmente fazemos.
Costumamos ouvir diversas vezes a expressão "filhos-problemas", mas o que acontece geralmente é que "pais-problemas" passam uma série de tabús e preconceitos para seus filhos, exatamente por não saberem lidar com determinado assunto.
Como dizia um comercial de tevê de antigamente, "não basta ser pai, tem que participar".
Pensem nisso e até a próxima.
Francisco Corrêa - vice presidente do G. E. Alan Kardec.
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