terça-feira, 31 de maio de 2011

O SONHO PREMONITÓRIO DE JOÃO HUSS (parte final).

No contexto narrado no artigo anterior, o arcebispo de Praga  ordenou que se queimasse todos os artigos de John Wyclife existentes na Universidade. Quando os membros do clero se reuniram para assistir à queima, Huss exclamou: "-As chamas, meus amigos, não destroem a verdade; sempre foi prova de mesquinhez desafogar a cólera em objetos inanimados e inofensivos; os livros, que hoje queimam, são uma perda para a nação inteira."
Multidões inteiras afluíram para ouvir a voz do seu compatriota. Não precisamos dizer que isso bastou para despertar a ira incendiária de Roma; seu estranho método de mostrar a verdade começou a molestar o papa. Veio de Roma a bula da excomunhão e, mesmo assim ele continuou pregando, até ser traído e preso, acusado de heresia. Seus amigos  pediram apoio ao Imperador mas a resposta foi taxativa: - Como proteger um homem que havia escrito literalmente "As ordens do Papa, Imperadores, Reis e Príncipes, e outras autoridades, não devem ser obedecidas a não ser que estejam fundamentadas na razão";
Submetido ao concílio dos Cardeais, era chegado o momento de falar. O que mais magoou John Huss foi a presença de três compatriotas comprados com dinheiro e promessas em troca de um falso testemunho. Após o julgamento, Huss foi levado para o calabouço e, naquela noite, como narram os escritores THOMAS & THOMAS, teve uma visão. Huss contou aos fiéis discipulos: "- sonhei que tinham destruído todas as representações de Cristo em Belém, mas na manhã seguinte, ao levantar-me, ví muitos pintores que pintavam imagens ainda mais belas, do que àquelas destruídas por bispos e padres."
Observa-se que Huss teve uma visão do futuro, ou o que hoje se chama em PERCEPÇÃO EXTRA-SENSORIAL, DE PREMONIÇÃO, pois simbolicamente, estes pintores das belezas espirituais nada mais são do que os espíritos que, no futuro, deixarão a Kardec o manancial inabalável que é o consolador prometido. No outro dia, tentaram persuadir Huss mas ele disse: "- Antes sacrificar a vida do que renunciar a verdade".Quando se levantou para ouvir a sentença do Concílio, no dia 06 de fevereiro de 1415, viu um grupo de homens separados dele, não pela distância de alguns passos, mas por muitos séculos. Arrancaram-lhe as vestes, rasparam-lhe o cabelo em cruz e puseram-lhe um chapéu pintado com a figura de três demônios onde se lia a seguinte inscrição "HIC ST HOERESIARCHA". Huss murmurava tristemente: " A corôa de espinhos  é mais pesada e mais difícil de levar". Amarrado a um poste de madeira à volta do qual amontoaram palha seca e colocaram fogo. Huss então, ajoelhou-se e disse: "- Vós hoje assais um pato mas, dia virá em que voará um cisne de luz tão alto que as vossas labaredas não mais o alcançarão".
Jerônimo de Praga, que assistia à fogueira humana, saiu à correr para os arredores da cidade e, após vencer o temor, continuou a pregar a mesma doutrina de Huss. Neste mesmo ano, ele também foi condenado pelos inquisidores e acabou assando na fogueira. A fogueira foi em vão. As idéias de JOHN HUSS, continuavam a caminhar pela população e, no futuro, ele voltaria, não mais para pedir tolerância religiosa, mas para codificar a grande doutrina de Jesus, O ESPIRITISMO.


Até a Próxima.



Francisco Corrêa-  vice presidente do G. E. ALAN KARDEC.

domingo, 29 de maio de 2011

O SONHO PREMONI´TÓRIO DE JOÃO HUSS (primeira parte).

No dia 06 de julho de 1369, em uma aldeia no sul da BOÊMIA, Tchecoslováquia, nasceu João Huss, nome de batismo, João Husinec. No idioma tcheco, Huss significa "pato". Para as pessoas não familiarizadas com a Doutrina Espírita, informamos que João Huss, conforme informação do espírito ZÉFIRO, a partir de escritos dados à Sociedade Parisience de Estudos Espíritas, através da médium Ermance Daufaux no ano de 1857, foi nada mais nada menos que a reencarnação de Alan Kardec, codificador espírita.
Ao analisarmos a vida de João Huss, e esta é a finalidade deste artigo, veremos que as reencarnações são sequências normais de vida do espírito e a confirmação de que existe um traço de união ligando o passado, o presente e o futuro, não havendo pois solução de continuidade na nossa vida, antes e depois do túmulo.
Mas, continuando nossa história, o pequeno João Huss, desde a mais tenra idade, estirado ao pé da lareira, lia as histórias de santos e mártires da igreja católica. Certa vez, levantou-se e pôs a mão no fogo da lareira e sua mãe, assustada, puxou rapidamente o menino enquanto ele se justificava; -"Queria apenas experimentar até que ponto serei capaz de suportar o mártírio das torturas".
Na idade adulta recebeu o grau de Mestre em Artes da Universidade de Praga, passando a partir daí, a ensinar com brilho, conquistando o cargo de Reitor, aceitando a ordenação de Sacerdote. Assim, aos 35 anos, alcançou o auge de sua carreira.
No entanto era um homen simples que mantinha a alma não corrompida pela vaidade. Em uma das capelas, a de Belém, se processava um movimento religioso e encarregaram Huss de reorganizar o movimento local. Nessa igreja, as orações não eram lidas em latim, mas na língua vernácula da Boêmia. Nesse período, um grande amigo de João Huss, Jerônimo de Praga, retornou da Inglaterra trazendo consigo o pensamento vivo de um sacerdote de nome JOHN WYCLIFE. Embora Wyclife fosse doutor em teologia de Oxford, seus escritos eram mal vistos pela igreja.  Quanto mais lia a doutrina Wyclifiana mais se maravilhava com sua heresia.  Wyclife não combatia a Igreja mas apenas os homens corruptos que diziam representá-la. Convidava o clero a despojar-se das riquezas e do poder temporário para viver a vida de espírito. Pedia que se traduzisse a Bíblia PARA TODOS OS IDIOMAS dos povos católicos.
Quando Huss acabou de ler estava extasiado. E nessa empolgação, começou a ler os livros ao público da sua congregação e aos alunos da Universidade. O autor pedia a expulsão dos vendilhões do templo. -"Também eu -  decidiu Huss para si mesmo - "dedicarei minha vida a esta tarefa".
Este homen, a partir de então, passou a combater os desmandos da igreja, em nome do poder e da fé, pagando por isso com a própria vida.
No próximo artigo, continuaremos a contar a história de JOÃO HUSS e do Espiritismo nascente, que seria codificado mais de quatro séculos depois, pelo mesmo espírito, reencarnado com o nome ALAN KARDEC.


Francisco Corrêa.
Vice-presidente do G. E. ALAN KARDEC - PELOTAS RS.