Os homens devem buscar aprender e enriquecer seus conhecimentos, estudando e analisando as obras daqueles que sabem mais. Não é nenhum demérito termos consciência das nossas limitações, pelo contrário, tal atitude demonstra humildade e sabedoria.
Ao longo da vida sempre tive inquietações sobre as questões básicas da vida tais como: O que somos? De onde viemos? Porque estamos encarnados neste planeta? Enfim, qual o sentido da vida? Sentia a necessidade de crer em "algo superior", mas a religião católica, onde fui criado, nunca conseguiu satisfazer minhas dúvidas em razão de estar escravizada aos dogmas que lhe foram impostos ao longo dos séculos. Não aceitava a idéia de um Deus imposto pelo temor e não pelo amor.
Ao ter acesso à Doutrina Espírita descobri que esta desenvolveu uma idéia de Deus bem diferente e muito distante das idéias contidas no velho testamento, transmitidas aos cristãos católicos e protestantes. Na realidade, o Deus dos exércitos, implacável, ciumento e vingativo, o "último juiz de nossos atos e apelos", impunha-se realmente pelo medo, embora o reconhecessem bom e amoroso.
Esse pensamento a respeito de Deus (Javé ou Jeová), predominante entre os hebreus foi herdado pela igreja de Roma. É certo que a concepção sobre Deus mudou muito a partir de Jesus, mas para muitas seitas e crenças completamente fanatizadas, ainda deixa muito a desejar. Teme-se a morte, esquecendo-se dos ensinos de Jesus sobre a vida futura, como se teme o silêncio da noite, a obscuridade dos espaços infinitos, a inconsciência do sono natural ou provocado. Tudo é decorrência do temor ao desconhecido.
Teólogos famosos ao invés de combaterem tais atitudes, contribuíram para agravá-las, não sei a serviço de quem, sustentando o privilégio de determinadas criaturas "escolhidas" por Deus, fosse para a santificação, para a manifestação da inteligência fora do comun ou para o sofrimento injustificado. Crenças dessa natureza, estimuladas por teses teológicas conduziam fatalmente ao temor a Deus ao invés do amor ensinado no maior mandamento. ratificado por Jesus. Esse caminho levou as religiões dogmáticas ao cúmulo do absurdo, ao pregar a "justificação pela fé", ou seja, a afirmação ridícula de que somos salvos pela "graça de Deus" e não pelas nossas obras. Isto, caros leitores, é o mesmo que tentar assustar um adolescente de 15 anos, ameaçando-o com o bicho-papão. É esquecer que estamos no terceiro milênio, e a ciência deve caminhar de braços dados com a religião.
Não preciso ser muito esperto para fazer um vaticínio: "Ou as religiões ditas tradicionais, neste novo milênio, despertam desse sono secular ou fatalmente serão extintas uma a uma, por falta de adeptos. A sociedade atual quer respostas e respostas urgentes, para seus anseios, angústias e questionamentos, não admitindo mais ter sua inteligência agredida com "estórias da carrochinha", tais como inferno, purgatório ou paraíso. O mestre Kardec já dizia no século XVIII: " FÉ RACIOCINADA É SOMENTE AQUELA QUE PODE ENCARAR A RAZÃO FACE A FACE, EM TODAS AS ÉPOCAS DA HUMANIDADE"
Talvez esta seja a causa que faz a Doutrina Espírita ter um crescimento vertiginoso nos últimos anos no país, principalmente entre as classes que tem mais acesso a informação, e que por isso apresentam um visão crítica maior.
No próximo artigo continuaremos a dissertar sobre o tema.
Enquanto isso, reflitam sobre o assunto.
Francisco Corrêa - Vice- Presidente do G. E. ALAN KARDEC.
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