A Doutrina Espírita não cansa de afirmar que ela não se dirige àqueles que já possuem uma fé religiosa, se esta fé por si mesmo lhes basta. O espiritismo se dirige àqueles que nada crêem e que duvidam da existência da alma e da vida futura. Aos olhos da doutrina, toda crença é boa quando é sincera, quando enaltece os princípios da caridade e tolerância, quando postula a fraternidade ao próximo.
Mesmo assim, o espiritismo desperta muita ira em seus inimigos e, na maioria das vezes, estes usam de argumentos totalmente ingênuos e ineficazes para combatê-lo. Hoje comentaremos duas alegações frequentemente usadas por seus contraditores para justificarem a sua não adesão aos ideais espíritas:
1) O ESPIRITISMO NÃO É CONDIZENTE COM AS SUAS CRENÇAS RELIGIOSAS:
Como dizíamos, o espiritismo não impõe, pois respeita a liberdade de consciência, mesmo ciente que qualquer crença imposta pelos usos, costumes e tradição, é superficial e só tem as aparências da fé, mas não a fé sincera. O espiritismo expõe seus princípios aos olhos de todos, de tal forma que cada um possa formar sua opinião com conhecimento de causa. Entretanto, entrando-se na seara dos milagres, o espiritismo não se pronuncia. As religiões se fundamentam nas revelações divinas e nos milagres. Ora, as revelações divinas nada mais são do que COMUNICAÇÕES EXTRA-HUMANAS, resultado da conexão do médium com os espíritos mais evoluídos. Já os "milagres" só tem a aparência e as suas explicações devem ser todas raciocinadas em dogmas.
Não é verdade que fenômenos outrora considerados sobrenaturais são hoje explicados pela ciência?
Todos os fenômenos espíritas se enquadram dentro de leis gerais e revelam uma das forças da natureza ainda incompreendidas por muitos. O espiritismo repousa menos nos milagres e no sobrenatural do que as religiões que deles se utilizam. E a razão fundamental disso é, que a doutrina espírita sabe que o "sobrenatural" ou "milagre" é tudo aquilo que a ciência ainda não conseguiu explicar, ou seja, na medida em que o conhecimento da humanidade evolui, o sobrenatural desaparece.
A outra alegação muito usada pelos inimigos do espiritismo é:
2) AS COMUNICAÇÕES EXTRA-CORPÓREAS (mediúnicas) SÃO OBRA DO DEMÔNIO:
Estes ao menos já admitem as comunicações extra-corpóreas. A crença na comunicação exclusiva dos demônios é irracional além de pouco lisongeira e pouco consoladora.
Perguntamos se não existe aí uma contradição, eis que entre eles há a igreja dogmática que reconhece como autêntica algumas manifestações visuais e orais além de visões da virgem e outros santos, mas por outro lado preconiza a comunicação com os seres invisíveis como sendo obra do demônio.
Não é muito mais lógico pensar que é permitida a comunicação dos espíritos, umas para nos provar e outras para nos aconselhar o bem, explicando dessa forma as más e as boas comunicações? Lentamente levanta-se o véu de mistério, referente a este tema, mesmo dentro do Vaticano, onde hoje é admitida a comunicação com os espíritos, envolvendo até mesmo o papa e altos escalões do Vaticano. Queiram ou não, a comunicação entre os mundos físico e espiritual é um fato que as religiões não poderão negar por muito tempo, pois será o mesmo que tentar "tapar o sol com a peneira".
Este fenômeno natural está impregnado no inconsciente coletivo dos povos desde a antiguidade, como já provamos em artigos anteriores, quando analisamos civilizações milenares como o Egito e a Índia. A cultura desses povos está cheia de narrações médiúnicas, sendo portanto, isto um fato, e contra fatos é impossível ir contra. No dia em que os "representantes de DEUS" na terra deixarem de lado seus interesses mesquinhos, perceberão que entre nós, espíritas, e as religiões de uma forma geral, existem mais coisas em comun do que pontos contrários.
Para reconhecer isso, basta simplesmente deixarem aflorar a pureza primitiva que as religiões perderam ao longo dos séculos, quando passaram a competir no mercado da fé, cada uma pretendendo ter a posse exclusiva da verdade.
Para encerrar permito-me fazer uma vaticínio: "Ou as religiões fazem isso, ou perecerão todas por falta de credibilidade!
Até a próxima.
Francisco Corrêa - vice presidente do G. E. ALAN KARDEC/ Pelotas.
Verdade!
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